Esporão de calcâneo pode afetar até 80% das pessoas acima do peso

Prevalência é de 55% em pessoas com mais de 62 anos e pode chegar em 80% em pessoas acima do peso






Você, certamente, já ouviu falar do “bico de papagaio”. O nome técnico dessa condição é osteófito, um crescimento anormal de tecido ósseo que forma uma saliência óssea em alguma parte do corpo. Quando isso ocorre no calcanhar, é chamado de esporão de calcâneo.


Segundo Walkíria Brunetti, fisioterapeuta especialista em RPG e Pilates, o calcâneo é o maior osso do pé. “Ele é responsável por sustentar todo o peso do corpo, recebendo o impacto constante e intenso. Dessa maneira, é uma região altamente sujeita a lesões ao longo da vida, sendo uma delas o esporão de calcâneo. Na maioria dos casos, essa protuberância óssea fica na parte de baixo do calcanhar (sola do pé)”.


Prevalência em obesos pode chegar a 80%


A obesidade e o sobrepeso são condições que aumentam em mais de seis vezes o risco de desenvolver o esporão de calcâneo. A idade também é um fator de risco importante. A prevalência aumenta de acordo com a faixa etária e pode afetar até metade das pessoas com 62 anos ou mais.


“Outros fatores de risco são a osteoartrose e a pronação do pé – quando a parte de fora do calcanhar toca no chão e o pé inicia uma rotação excessiva para dentro. Mulheres também têm mais chance de desenvolver a condição. Uma das explicações seria a mudança da biomecânica da região do calcanhar e pé, devido ao uso de salto alto”, explica Walkíria.


Embora a causa do esporão de calcâneo ainda seja controversa, um dos fatores que contribuem para a condição é a fascite plantar. Estudos apontam que o esporão de calcâneo está presente em 45-85% das pessoas com fascite plantar.


Além disso, em geral, esses pacientes costumam ter idade avançada e estarem acima do peso, o que sugere que as duas condições estão ligadas etiologicamente, ou seja, podem compartilhar a mesma causa.


Sem sinais


O esporão de calcâneo costuma ser assintomático, na maioria dos casos. Porém, naqueles em que há sintomas, a dor pode ser insuportável e incapacitante, a ponto de a pessoa não conseguir colocar o pé no chão e caminhar.



“A dor está relacionada a outros fatores. O esporão pode crescer a ponto de comprimir os nervos do calcanhar. Além disso, quando o paciente tem fascite plantar significa que a região está inflamada, o que causa bastante dor. Ainda é possível que haja microfraturas no pé. Por fim, as pessoas com obesidade e sobrepeso costumam ser sintomáticas, já que essas condições colocam muita pressão no calcanhar”, ressalta Walkíria.


Fascite plantar: o que é isso?

A fáscia é um tecido que vai do calcâneo até a planta do pé. Durante a fase de apoio da marcha, que é quando damos o impulso para andar, a planta do pé é comprimida e uma força de tração é gerada. Portanto, durante a marcha, a fáscia é submetida a constantes forças de tração.


A intensidade e a frequência desses movimentos repetitivos podem levar a um processo progressivo de degeneração do tecido. Isso, por sua vez, causa micro traumas que resultam em dor crônica e inflamação. Em geral, pessoas obesas ou acima do peso costumam apresentar dor crônica no calcanhar.


Tratamento é conservador

O tratamento para o esporão de calcâneo, na presença de sintomas, geralmente é conservador. “O foco é reduzir a inflamação e, com isso, melhorar a dor. A fisioterapia também vai devolver a mobilidade para que a pessoa volte a caminhar e fazer suas atividades. Quando a fáscia está envolvida, é muito importante realizar a sessões de liberação miofascial”, reforça Walkíria.

Os pacientes obesos ou com sobrepeso precisam reduzir o peso corporal para diminuir a pressão no calcanhar. Durante o tratamento, também é preciso suspender as atividades físicas mais intensas.


As mulheres não devem usar saltos altos. Outro ponto é que pode ser preciso corrigir a pronação do pé. “Em alguns casos, pode ser indicada uma palmilha ortopédica para acomodar e dar suporte ao arco do pé, além de dar um acolchoamento para a região do calcanhar, o que irá reduzir a pressão nesta área”, conclui Walkiria.





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