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Dores crônicas têm relação com ansiedade e depressão

Fisioterapia deve fazer parte do tratamento da dor relacionada à depressão e ansiedade


Estima-se que cerca de metade das pessoas com sintomas ansiosos e depressivos desenvolve dores musculoesqueléticas








A fisioterapia e o tratamento de transtornos psiquiátricos estão cada vez mais interligados. Muitos pacientes que procuram um fisioterapeuta com queixas de problemas musculoesqueléticos também apresentam condições como depressão ou ansiedade, por exemplo.


Uma pesquisa publicada no periódico científico Musculoskeletal apontou que 36% dos pacientes que frequentavam sessões de fisioterapia apresentavam transtornos depressivos e ansiosos. Além disto, metade dos pacientes relatou que as dores interferiam em seu bem-estar físico e emocional.


Segundo a fisioterapeuta Walkíria Brunetti, especialista em Dor Crônica e Saúde Postural, é muito comum receber pacientes com dores crônicas que sofrem de ansiedade, depressão e estresse patológico, mas nem sempre sabem disso. “Uma pessoa com dores de cabeça tensionais e recorrentes, por exemplo, pode na verdade ter desenvolvido um quadro ansioso ou de estresse crônico, sem ter ciência disto”.


“Portanto, no momento da avaliação do paciente precisamos ter uma visão mais holística do quadro. Caso seja possível identificar a presença de sintomas depressivos, ansiosos ou de estresse, é importante recomendar que o paciente procure um médico psiquiatra ou ainda um psicólogo”, comenta a especialista.


Ansiedade e depressão frequentemente coexistem com dor crônica


Algumas vezes é difícil descobrir se a dor é consequência ou a causa dos transtornos psiquiátricos. Na verdade, quadros de dores crônicas são muito comuns em quem tem depressão e ansiedade. A coexistência de transtornos psiquiátricos e dor crônica está associada a uma piora do quadro clínico. Portanto, a fisioterapia e outros recursos, como o Pilates, devem fazer parte do tratamento.


“A relação entre dor e problemas psiquiátricos pode variar. A depressão pode acontecer antes, pode ser uma consequência ou ainda pode ocorrer concomitantemente à dor crônica. Ao mesmo tempo, quadros depressivos e ansiosos podem intensificar a percepção da dor. Por estes motivos, é fundamental tratar as condições de forma global”, reforça Walkíria.


Por trás da dor


Uma das explicações para os quadros de dores crônicas em pessoas com transtornos ansiosos e depressivos é que estas doenças causam alterações no sistema opioide. Os opioides endógenos, ou seja, produzidos pelo organismo, são neurotransmissores que inibem a dor. Pesquisas mostraram que em pessoas com depressão e ansiedade, há uma redução na liberação destas substâncias.


Outro mecanismo importante é que a ansiedade e o estresse crônico aumentam a tensão muscular, que pode resultar na síndrome dolorosa miofascial.


O medo de sentir dor


A cinesiofobia, ou o medo de sentir dor, é uma condição recorrente em quem sofre de depressão e ansiedade. Por isso, pessoas com estas condições normalmente são menos ativas, já que sentem medo de que o movimento agrave a dor. “Trata-se de uma condição muito debilitante, pois a pessoa tende a passar a maior parte do tempo deitada ou sentada para se “proteger” da dor e outros desconfortos, que em sua percepção irão agravar o quadro doloroso”, conta Walkíria.


“Normalmente, este ciclo vicioso da dor agrava os problemas musculoesqueléticos. A pessoa começa a apresentar encurtamentos musculares importantes, por exemplo. Quando a falta de movimento chega ao extremo há um risco alto do paciente perder sua autonomia e funcionalidade”, adiciona.


O corpo precisa de movimento


A fisioterapia é fundamental para reabilitar pacientes com dores crônicas relacionadas a transtornos psiquiátricos. Há várias técnicas que podem ser usadas. Quando o paciente chega é feita uma avaliação de forma individual para planejar quais recursos podemos aplicar. Entre eles estão equipamentos para melhorar a dor, sessões de alongamento, melhora da postura e fortalecimento muscular”, explica Walkíria.


“Neste sentido, é importante mostrar ao paciente que o exercício é benéfico para a melhora da qualidade de vida, que vai ajudar não só na melhora da dor, como também contribui no controle dos sintomas ansiosos e depressivos. Quando conseguimos quebrar o ciclo vicioso da dor e reabilitar o paciente, é crucial recomendar um programa contínuo de atividades físicas”, diz.


“Podemos também ajudar o paciente a identificar o que ele gosta de fazer, o que lhe traz mais prazer. O Pilates, por exemplo, é um método excelente e pode ser associado a atividades aeróbicas como caminhadas, aulas de dança, corridas etc. O que importa é se manter em movimento”, finaliza Walkíria.

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