Dormir com o punho dobrado pode causar síndrome do túnel do carpo?
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A síndrome do túnel do carpo é uma condição causada pela compressão de um nervo no punho, chamado nervo mediano. Para você entender melhor, imagine que no seu punho há um “túnel” estreito, por onde passam os tendões que movimentam os dedos e o nervo mediano. Esse túnel se chama carpo.
“Quando esse espaço fica mais apertado — devido à inflamação, inchaço ou esforço repetitivo — o nervo é comprimido, resultando na síndrome do túnel do carpo. A compressão do nervo pode causar dor no punho, fraqueza nas mãos, formigamento e dormência. As regiões mais afetadas são os dedos polegar, indicador e médio”, explica a fisioterapeuta Walkíria Brunetti, especialista em dores crônicas, saúde postural, Pilates, RPG e liberação miofascial.
Quais são os fatores de risco?
• Movimentos repetitivos (uso de computador, celular, trabalho manual);
• Obesidade;
• Diabetes;
• Gravidez;
• Menopausa;
• Doenças hormonais.
Por que piora à noite?
Um fato que chama a atenção é que a dor relacionada à síndrome do túnel do carpo costuma piorar à noite. Mas por que isso acontece?
“Durante o sono, é comum dobrar o punho sem perceber, o que aumenta ainda mais a pressão dentro do túnel — por isso muitas pessoas acordam com a mão dormente. Portanto, dormir com o punho dobrado ou com a mão embaixo do travesseiro pode piorar os sintomas da síndrome do túnel do carpo”, alerta Walkíria.
Durante o sono, é comum adotarmos posições que mantêm o punho dobrado por longos períodos — especialmente ao dormir de lado, com a mão sob o rosto ou o travesseiro. Essa posição, aparentemente inofensiva, pode ter impacto direto na saúde do nervo mediano, que passa pelo túnel do carpo, uma estrutura estreita localizada no punho.
“Quando o punho permanece dobrado (em flexão), ocorre diminuição do espaço dentro do túnel do carpo, aumento da pressão sobre o nervo mediano e redução da circulação local. Esse conjunto de fatores pode favorecer o aparecimento — ou a piora — dos sintomas”, alerta Walkíria.
Dormir de lado está associado à síndrome do túnel do carpo, dizem estudos
Além de dormir com as mãos embaixo da cabeça ou dobrar os punhos, dois estudos investigaram essa relação diretamente. Ambos foram publicados no Journal of the American Association for Hand Surgery. Os trabalhos encontraram associação significativa entre dormir de lado e a síndrome do túnel do carpo.
Além disso, os pesquisadores identificaram um possível mecanismo causal: o aumento do tempo dormindo em decúbito lateral coloca o punho em maior risco de flexão ou extensão, comprimindo o nervo mediano no túnel do carpo.
“Por meio dos estudos e da nossa experiência clínica, percebemos que a posição ao dormir realmente resulta em queixas comuns nesses pacientes, como dormência nas mãos ao acordar, sensação de formigamento durante a madrugada e, em alguns casos, a necessidade de sacudir as mãos para aliviar o desconforto”, comenta Walkíria.
Posição ao dormir não é fator de risco isolado
Apesar da relação entre a posição ao dormir e a piora ou o agravamento dos sintomas, é importante esclarecer que essa compressão noturna do nervo mediano não é um fator de risco isolado. Portanto, esse hábito, sozinho, não é a causa principal da síndrome do túnel do carpo.
O que fazer para evitar a compressão do nervo mediano ao dormir?
Algumas medidas simples podem ajudar a reduzir a compressão do nervo mediano durante o sono, como:
• Evitar dormir com o punho dobrado;
• Não apoiar a mão sob o travesseiro ou o rosto;
• Manter o punho em posição neutra durante o sono;
• Em alguns casos, usar órteses (talas) noturnas.
Como funciona o tratamento da síndrome do túnel do carpo
Em geral, o tratamento para a síndrome do túnel do carpo é conservador, realizado com sessões de fisioterapia e medicamentos para controle da dor e redução da inflamação.
“A dor pode ser controlada com recursos fisioterapêuticos, como laser, ultrassom, eletroestimulação e termoterapia, entre outros. O objetivo é reduzir a inflamação e melhorar a circulação. Para complementar, realizamos exercícios para aumentar a amplitude de movimento, fortalecer os músculos e recuperar os movimentos das mãos, punhos e antebraços”, reforça Walkíria.
“Além da fisioterapia, o paciente recebe orientações sobre algumas mudanças necessárias. Entre elas está manter uma posição neutra nos punhos durante o dia e, especialmente, durante o sono. Sem dúvida, uma das piores posturas para quem tem síndrome do túnel do carpo é dormir com o braço embaixo da cabeça. Em muitos casos, podemos recomendar o uso de talas para ajudar a manter essa neutralidade”, alerta a fisioterapeuta.
“Outras recomendações importantes, além da fisioterapia, são reduzir os movimentos repetitivos com as mãos e caprichar nos alongamentos dos membros superiores todos os dias, várias vezes ao dia. Em alguns casos, porém, somente a cirurgia pode aliviar a compressão do nervo”, finaliza Walkíria.
A Clínica Walkíria Brunetti – Fisioterapia e Pilates está localizada no Campo Belo, zona sul da cidade de São Paulo.
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Matéria produzida pela jornalista
Leda Maria Sangiorgio
MTB 30.714
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