Você sabe o que é escoliose?
Atualizado: 24 de set.

Deformidade na coluna é mais comum em meninas e afeta cerca de 22% da população em geral
Escoliose: o que é, sintomas, causas e como a fisioterapia pode ajudar
A escoliose é uma alteração tridimensional da coluna vertebral, caracterizada por uma curvatura lateral associada à rotação das vértebras. Em vez de apresentar um alinhamento considerado normal quando observada de frente ou de costas, a coluna pode assumir um formato semelhante à letra “C” ou “S”.
A escoliose pode surgir durante a infância e adolescência, mas também pode estar presente ou se desenvolver na vida adulta. As causas, a evolução e o tratamento dependem do tipo de escoliose, da idade do paciente e do grau da curvatura.
Em muitos casos, principalmente no início, a escoliose não causa dor. Por isso, alterações como diferença na altura dos ombros, assimetria da cintura ou maior proeminência de um dos lados das costas podem ser os primeiros sinais percebidos.
O que é escoliose?
A escoliose não significa simplesmente ter a “coluna torta” ou apresentar má postura. Trata-se de uma deformidade tridimensional da coluna, que envolve não apenas uma curvatura lateral, mas também alterações na rotação das vértebras e na organização do tronco.
Do ponto de vista radiográfico, considera-se escoliose uma curvatura da coluna com ângulo de Cobb igual ou superior a 10 graus. O ângulo de Cobb é medido em uma radiografia e ajuda a determinar a magnitude da curva, acompanhar sua evolução e orientar as decisões relacionadas ao tratamento.
Quais são os principais tipos de escoliose?
A escoliose pode ter diferentes origens. Entre os principais tipos estão:
Escoliose idiopática: é aquela em que não é possível identificar uma causa específica. É o tipo mais frequente, principalmente entre crianças e adolescentes.
Escoliose congênita: está relacionada a alterações na formação das vértebras durante o desenvolvimento fetal.
Escoliose neuromuscular: pode ocorrer em pessoas com determinadas doenças neurológicas ou musculares que comprometem o equilíbrio e a sustentação da coluna.
·Escoliose degenerativa do adulto: desenvolve-se ao longo da vida em consequência de alterações degenerativas da coluna, como desgaste dos discos intervertebrais e das articulações.
Há ainda adultos que apresentam uma escoliose iniciada na adolescência e que permanece ou pode progredir ao longo da vida.
Escoliose é causada por má postura?
Não necessariamente. Esse é um dos principais mitos relacionados à escoliose.
Sentar-se de maneira inadequada, carregar mochila pesada ou permanecer muitas horas diante do computador não são considerados causas da escoliose idiopática.
Na maior parte dos casos de escoliose idiopática, como o próprio nome indica, não existe uma causa única conhecida.
Entretanto, hábitos posturais inadequados podem provocar desconforto, sobrecarga musculoesquelética e alterações posturais funcionais. Por isso, é importante diferenciar uma alteração de postura de uma escoliose estrutural.
Quais são os sinais de escoliose
A escoliose pode passar despercebida, especialmente quando a curvatura é pequena. Alguns sinais podem chamar a atenção:
um ombro mais alto que o outro;
uma escápula mais proeminente;
assimetria da cintura;
diferença na altura dos quadris;
inclinação do tronco para um dos lados;
maior proeminência de um dos lados das costas quando a pessoa inclina o tronco para frente.
Em crianças e adolescentes, observar essas assimetrias durante os períodos de crescimento é especialmente importante.
Escoliose causa dor?
Nem sempre. A escoliose idiopática do adolescente frequentemente não causa dor, principalmente nas curvas menores. Por isso, muitas vezes ela é identificada durante uma avaliação ou quando os pais percebem alguma assimetria corporal.
Nos adultos, o cenário pode ser diferente. Alterações degenerativas da coluna, desequilíbrios musculares, redução da mobilidade e sobrecarga de determinadas estruturas podem estar associadas à dor nas costas.
Portanto, a presença de dor precisa ser avaliada individualmente e não deve ser atribuída automaticamente à escoliose.
Como é feito o diagnóstico da escoliose?
A avaliação começa pelo exame físico e pela análise do alinhamento corporal.
Um dos testes utilizados é o teste de Adams, em que o paciente inclina o tronco para frente. Essa posição pode tornar mais evidente a rotação do tronco e outras assimetrias características da escoliose.
Quando existe suspeita de escoliose estrutural, a avaliação médica pode incluir uma radiografia da coluna em pé. É por meio desse exame que pode ser realizada a medição do ângulo de Cobb.
Em crianças e adolescentes, também é importante considerar quanto crescimento ainda existe, pois algumas curvas apresentam maior risco de progressão durante os períodos de crescimento acelerado.
A escoliose pode piorar?
Sim. Algumas curvas podem progredir, enquanto outras permanecem estáveis. O risco de progressão depende de diferentes fatores, como idade, maturidade esquelética, magnitude da curva e fase de crescimento. Esse é um dos motivos pelos quais a identificação precoce da escoliose durante a infância e a adolescência é importante. O acompanhamento permite observar a evolução da curva e definir a abordagem mais adequada para cada caso.
Como é feito o tratamento da escoliose?
Não existe um único tratamento indicado para todas as pessoas com escoliose. A conduta depende do tipo e da magnitude da curva, idade, fase de crescimento, risco de progressão, sintomas e impacto funcional.
Dependendo do caso, o tratamento pode envolver:
acompanhamento periódico;
exercícios fisioterapêuticos específicos para escoliose;
uso de órteses, como coletes, principalmente durante a fase de crescimento;
tratamento cirúrgico em situações específicas.
Um importante estudo publicado no New England Journal of Medicine, conhecido como BrAIST, demonstrou a eficácia do uso de colete em adolescentes com escoliose idiopática e risco de progressão, reduzindo a evolução da curva até o limite considerado indicativo para cirurgia.
Qual é o papel da fisioterapia no tratamento da escoliose?
A fisioterapia pode ter um papel importante no tratamento conservador da escoliose, especialmente quando utiliza exercícios específicos e individualizados de acordo com o padrão da curvatura de cada paciente.
Isso porque a escoliose é uma alteração tridimensional. Portanto, o tratamento não deve considerar apenas a inclinação lateral da coluna, mas também a rotação vertebral, as assimetrias do tronco, o controle postural e a maneira como o paciente se movimenta no dia a dia.
Entre as abordagens desenvolvidas especificamente para o tratamento conservador da escoliose estão os Physiotherapeutic Scoliosis-Specific Exercises (PSSE) — exercícios fisioterapêuticos específicos para escoliose.
Método Schroth: tratamento tridimensional da escoliose
Dentro dos exercícios específicos para escoliose, um dos métodos mais conhecidos internacionalmente é o Método Schroth (International Schroth Three Dimensional Scoliosis Therapy). Criado na Alemanha, o método parte do princípio de que cada escoliose apresenta um padrão tridimensional próprio. Por isso, os exercícios são individualizados de acordo com o tipo de curva e as características de cada paciente.
O tratamento utiliza recursos como autocorreção tridimensional, exercícios específicos, controle postural, estabilização e técnicas respiratórias corretivas. O paciente também aprende a reconhecer suas assimetrias e incorporar as correções posturais às atividades realizadas ao longo do dia.
Um dos pontos importantes do Método Schroth é justamente a participação ativa do paciente: o objetivo não é apenas realizar exercícios durante a sessão de fisioterapia, mas desenvolver maior consciência corporal e aprender estratégias que possam ser incorporadas à rotina.
Estudos vêm avaliando os exercícios Schroth principalmente em adolescentes com escoliose idiopática. Revisões sistemáticas e meta-análises apontam resultados favoráveis em parâmetros como rotação do tronco, ângulo de Cobb e qualidade de vida, embora a qualidade e a consistência das evidências ainda variem de acordo com o desfecho analisado.
Walkíria Brunetti possui formação específica no Método Schroth
A fisioterapeuta Walkíria Brunetti possui formação no International Schroth Three Dimensional Scoliosis Therapy, incorporando o método à sua experiência em Saúde Postural e ao tratamento fisioterapêutico de pacientes com escoliose.
Essa formação permite realizar uma avaliação específica do padrão da escoliose e desenvolver um programa terapêutico individualizado, considerando fatores como tipo e magnitude da curva, assimetrias do tronco, mobilidade, controle postural, sintomas e necessidades funcionais de cada paciente.
O Método Schroth é utilizado principalmente no tratamento conservador da escoliose idiopática do adolescente, mas seus princípios também podem ser aplicados, de acordo com avaliação individual, a outros pacientes com escoliose.
[Saiba mais sobre o tratamento conservador da escoliose com o Método Schroth.]
Pilates pode ajudar quem tem escoliose?
O Pilates Clínico também pode integrar o tratamento fisioterapêutico, especialmente para trabalhar força, mobilidade, controle do tronco, equilíbrio muscular e consciência corporal. Entretanto, existe uma diferença importante: Pilates e Método Schroth não são a mesma coisa.
Enquanto o Pilates pode contribuir para diferentes aspectos funcionais, o Schroth foi desenvolvido especificamente para o tratamento conservador das deformidades da coluna e utiliza exercícios direcionados ao padrão tridimensional da escoliose de cada paciente. Por isso, a escolha dos recursos terapêuticos deve ser feita após uma avaliação individualizada.
Toda escoliose precisa de cirurgia?
Não. Muitos pacientes são acompanhados ou tratados de forma conservadora. A cirurgia é reservada para situações específicas e sua indicação depende de fatores como magnitude e progressão da curva, maturidade esquelética, sintomas e repercussões funcionais. Portanto, ter escoliose não significa que o paciente necessariamente precisará de cirurgia.
Perguntas frequentes sobre escoliose
Escoliose tem cura?
Depende do que se entende por “cura”. O tratamento busca controlar a progressão da curva, preservar ou melhorar a função, reduzir sintomas quando presentes e favorecer a qualidade de vida. Os objetivos variam conforme o tipo e a gravidade da escoliose.
Má postura causa escoliose?
A má postura não é considerada causa da escoliose idiopática. Alterações posturais funcionais e escoliose estrutural são condições diferentes.
Escoliose sempre causa dor nas costas?
Não. Principalmente entre adolescentes, a escoliose pode ser assintomática. Em adultos, a dor pode estar relacionada à própria deformidade ou a outras alterações musculoesqueléticas e degenerativas associadas.
Quem tem escoliose pode fazer exercícios?
Na maioria dos casos, sim. Entretanto, o programa deve ser individualizado, principalmente quando existe uma curva importante, dor ou outras alterações da coluna.
A fisioterapia pode diminuir a escoliose?
Os exercícios fisioterapêuticos específicos para escoliose têm sido estudados para o controle da progressão e melhora de parâmetros relacionados à deformidade, postura e qualidade de vida. Os resultados dependem de diversos fatores, como idade, magnitude e características da curva, fase de crescimento e adesão ao tratamento. Por isso, não é adequado prometer a correção completa da escoliose apenas com fisioterapia.
O que é o Método Schroth para escoliose?
O Método Schroth é uma abordagem fisioterapêutica desenvolvida especificamente para o tratamento conservador da escoliose. Os exercícios são individualizados de acordo com o padrão tridimensional da curva e podem envolver autocorreção postural, estabilização, consciência corporal e técnicas respiratórias específicas.
Método Schroth e Pilates são a mesma coisa?
Não. Embora ambos possam trabalhar aspectos como controle corporal, força e postura, o Método Schroth foi desenvolvido especificamente para as alterações tridimensionais presentes na escoliose.
Adultos com escoliose podem fazer fisioterapia?
Sim. Dependendo do caso, a fisioterapia pode contribuir para melhora da mobilidade, força, equilíbrio, capacidade funcional e controle da dor. Entretanto, os objetivos e estratégias de tratamento para um adulto podem ser diferentes daqueles utilizados em crianças e adolescentes que ainda estão em fase de crescimento.
Tratamento da escoliose deve ser individualizado
Não existem duas escolioses exatamente iguais. O tipo e a magnitude da curva, a idade, a fase de crescimento, as assimetrias, os sintomas e a maneira como cada pessoa responde ao movimento precisam ser considerados na definição do tratamento.
Na Clínica Walkíria Brunetti, a avaliação fisioterapêutica permite identificar essas características e estabelecer um programa individualizado para cada paciente.
Com experiência em Saúde Postural e formação específica no Método Schroth, Walkíria Brunetti trabalha com uma abordagem direcionada às características tridimensionais da escoliose, associando os recursos da fisioterapia às necessidades de cada paciente.
Artigo com supervisão e orientação da fisioterapeuta Walkíria Brunetti CREFITO CREFITO 3 10441-F
Sobre Walkíria Brunetti
Walkíria Brunetti é fisioterapeuta, formada pela PUC-Campinas, com mais de 30 anos de atuação na área de Fisioterapia. Possui Mestrado pela Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo. Também atuou no Departamento de Fisioterapia Neurológica na Frei Universität de Berlin, na Alemanha. É especialista em Dores Crônicas, Saúde Postural, Pilates Clínico e Reabilitação.
A Clínica Walkíria Brunetti – Fisioterapia e Pilates está localizada no Campo Belo, zona sul da cidade de São Paulo.
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Referências
SCOLIOSIS RESEARCH SOCIETY (SRS). Diagnosing Scoliosis. Scoliosis Research Society. A SRS considera escoliose uma curva superior a 10° e descreve avaliação clínica, radiografia e mensuração pelo método de Cobb.
NEGRINI, S.; DONZELLI, S.; AULISA, A. G. et al. 2016 SOSORT guidelines: orthopaedic and rehabilitation treatment of idiopathic scoliosis during growth. Scoliosis and Spinal Disorders, v. 13, art. 3, 2018. DOI: 10.1186/s13013-017-0145-8. Esta é uma das referências mais importantes para o artigo, pois aborda avaliação, fisioterapia, PSSE, coletes e tratamento conservador.
CHEN, C.; XU, J.; LI, H. Effects of Schroth 3D Exercise on Adolescent Idiopathic Scoliosis: A Systematic Review and Meta-Analysis. Children, v. 11, n. 7, art. 806, 2024. DOI: 10.3390/children11070806. A meta-análise incluiu 14 estudos e 538 pacientes e encontrou resultados favoráveis do Schroth em parâmetros como ângulo de Cobb, rotação do tronco e qualidade de vida em adolescentes com escoliose idiopática.
SCHREIBER, S.; PARENT, E. C.; KHODAYARI MOEZ, E. et al. Schroth Physiotherapeutic Scoliosis-Specific Exercises Added to the Standard of Care Lead to Better Cobb Angle Outcomes in Adolescents with Idiopathic Scoliosis: an Assessor and Statistician Blinded Randomized Controlled Trial. PLOS ONE, v. 11, n. 12, e0168746, 2016. DOI: 10.1371/journal.pone.0168746.
WEINSTEIN, S. L.; DOLAN, L. A.; WRIGHT, J. G.; DOBBS, M. B. Effects of Bracing in Adolescents with Idiopathic Scoliosis. New England Journal of Medicine, v. 369, p. 1512–1521, 2013. DOI: 10.1056/NEJMoa1307337. O BrAIST é um estudo multicêntrico de referência sobre o uso de colete em adolescentes com escoliose idiopática com risco de progressão.
Atualizado em 25.09.2026










































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