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Aparelhos para tratamento da dor na fisioterapia: como funcionam laser, TENS, ultrassom

  • há 1 dia
  • 9 min de leitura
Walkíria Brunetti - Especialista em Dor Crônica - Saúde Postural - Pilates Clínico

Quem convive com dor recorrente ou crônica provavelmente já ouviu falar em tratamentos realizados com laser, ultrassom, TENS ou ILIB. Mas para que servem essas tecnologias? Elas realmente diminuem a dor? E qual é a diferença entre cada uma delas?


Na fisioterapia, diferentes recursos podem ser utilizados como parte do tratamento para auxiliar no controle da dor e, em situações específicas, na modulação de processos inflamatórios. A escolha depende da causa dos sintomas, da condição clínica, do tempo de evolução e dos objetivos estabelecidos para cada paciente.


Porém, é importante entender que nenhum aparelho é usado de forma isolada para a dor crônica. Quando a dor persiste por meses, o tratamento precisa considerar não apenas onde dói, mas também os fatores que contribuem para a manutenção dos sintomas e para a perda de função.


Resposta rápida: quais aparelhos de fisioterapia podem no tratamento da dor?

Laser, TENS, ultrassom terapêutico e laserterapia com ILIB - são recursos que podem integrar o tratamento fisioterapêutico da dor. Eles funcionam por mecanismos diferentes e, por isso, são complementares.


  • Laser terapêutico: utiliza luz para produzir respostas celulares, processo conhecido como fotobiomodulação.

  • TENS: utiliza estimulação elétrica aplicada sobre a pele para auxiliar na modulação da percepção da dor.

  • Ultrassom terapêutico: utiliza ondas sonoras para produzir efeitos mecânicos e, conforme os parâmetros, térmicos nos tecidos.

  • ILIB/fotobiomodulação vascular: utiliza luz aplicada em uma região vascular com proposta de efeitos sistêmicos.

No tratamento da dor crônica, esses recursos devem ser entendidos como ferramentas complementares. Exercícios terapêuticos, recuperação da força e da mobilidade, educação sobre a dor e retomada progressiva das atividades continuam sendo componentes importantes da reabilitação.

O que é dor crônica?

De maneira geral, considera-se crônica a dor que persiste ou se repete por mais de três meses. Isso significa que ela não é simplesmente uma dor aguda que “demorou para passar”.


Com o passar do tempo, podem ocorrer mudanças na maneira como o sistema nervoso recebe e processa os estímulos relacionados à dor. Além disso, perda de força, redução da mobilidade, alterações de movimento, sono inadequado, estresse, medo de se movimentar e redução das atividades podem participar desse processo.


Por isso, a abordagem da dor crônica costuma ser mais ampla. Recursos analgésicos podem ajudar a controlar sintomas e criar melhores condições para que o paciente avance na reabilitação, com exercícios, fortalecimento, recuperação da mobilidade e retorno às atividades.


1. Laser terapêutico: o que é e como pode ajudar na dor?


O laser utilizado na fisioterapia é diferente dos lasers cirúrgicos ou empregados em alguns procedimentos estéticos. Na fisioterapia, a luz é aplicada em parâmetros específicos para produzir efeitos biológicos nos tecidos. Esse processo é chamado de fotobiomodulação.


De forma simplificada, componentes celulares absorvem a energia luminosa e essa interação pode desencadear respostas relacionadas ao metabolismo celular, à modulação de processos inflamatórios e ao reparo tecidual.


Para que serve o laser na fisioterapia?

Dependendo da condição clínica e dos parâmetros utilizados, a laserterapia pode ser empregada como recurso complementar para auxiliar no controle da dor, modular processos inflamatórios e favorecer respostas relacionadas ao reparo tecidual.


Mas laser não é sinônimo de tratamento da causa da dor. Se uma pessoa apresenta dor no joelho associada à perda de força e limitação funcional, por exemplo, diminuir o sintoma pode ser útil, mas recuperar força e função continuará sendo parte essencial da reabilitação.


Outro ponto importante é que não basta simplesmente “aplicar laser”. Comprimento de onda, potência, dose, tempo e local da aplicação, além da condição tratada, interferem no resultado.


2. ILIB e laser: qual é a diferença?

ILIB é a sigla de Intravascular Laser Irradiation of Blood. Originalmente, o termo descreve uma técnica invasiva, na qual a luz é aplicada por via intravascular.


Na fisioterapia brasileira, entretanto, tornou-se comum chamar de ILIB uma técnica não invasiva em que a luz é aplicada sobre uma região de grande circulação sanguínea, frequentemente próxima à artéria radial, no punho. Na literatura científica recente, essa modalidade transcutânea também é denominada fotobiomodulação vascular ou VPBM (vascular photobiomodulation).


Laser convencional e ILIB são a mesma coisa?

Não. Embora ambos envolvam fotobiomodulação, a forma de aplicação e a proposta terapêutica são diferentes. No laser terapêutico convencional, a aplicação costuma ser direcionada a uma região ou estrutura específica. Já o ILIB é aplicado na artéria radial do punho e atua de forma sistêmica, ou seja, leva benefícios para todo o corpo.  


ILIB pode ser usado para dor crônica?

Sim. O ILIB tem sido alvo de estudos em diferentes contextos, inclusive em desfechos relacionados à inflamação, estresse oxidativo, dor e qualidade de vida. Na abordagem da dor crônica, deve ser considerado um possível recurso complementar, quando houver indicação individualizada.


3. Ultrassom terapêutico: não é o mesmo ultrassom usado em exames


Quando falamos em ultrassom na fisioterapia, não estamos falando do equipamento utilizado para produzir imagens diagnósticas.


O ultrassom terapêutico utiliza ondas sonoras de alta frequência transmitidas aos tecidos por meio de um cabeçote e de um gel aplicado sobre a pele. Conforme os parâmetros selecionados, essas ondas podem produzir efeitos mecânicos e térmicos.


Para que serve o ultrassom terapêutico?

O ultrassom pode integrar o tratamento de algumas condições musculoesqueléticas com objetivos relacionados à modulação da dor e a efeitos nos tecidos. Mas a evidência varia bastante conforme a condição.


4. TENS: como a estimulação elétrica pode ajudar no tratamento da dor?

 

TENS significa Transcutaneous Electrical Nerve Stimulation, ou Estimulação Elétrica Nervosa Transcutânea. Eletrodos são posicionados sobre a pele e conectados a um aparelho que fornece corrente elétrica em parâmetros controlados. O paciente geralmente percebe uma sensação de formigamento.


Seu objetivo principal é a analgesia. A estimulação pode interferir na transmissão e no processamento dos sinais dolorosos pelo sistema nervoso, contribuindo para a modulação da percepção da dor.


TENS trata a causa da dor?

Não necessariamente. Essa diferença é fundamental. O TENS pode ajudar a reduzir a percepção dolorosa durante ou após a aplicação, mas isso não significa que esteja corrigindo a condição responsável pelo sintoma.


Uma grande revisão sistemática e meta-análise publicada no BMJ Open reuniu 381 estudos sobre TENS para diferentes tipos de dor aguda e crônica em adultos. Os autores encontraram evidência de menor intensidade de dor durante ou imediatamente após a utilização do TENS em comparação com placebo, sem sinal de eventos adversos graves relacionados à intervenção.


Na reabilitação, a analgesia pode ser útil quando ajuda o paciente a se movimentar melhor, realizar exercícios ou retomar progressivamente atividades.


Laser, ILIB, ultrassom ou TENS: qual é melhor para dor?


Não existe uma resposta única, pois cada paciente tem suas necessidades e particularidades. Além disso, há contraindicações e, por isso, é preciso uma minuciosa avaliação antes de qualquer tratamento. Em muitos casos, o paciente pode se beneficiar de todos os recursos ou de algum deles. Adicionalmente, dependendo do estágio da reabilitação, alguns podem ser mais indicados do que outros.


Por que o aparelho que funcionou para uma pessoa pode não funcionar para outra?

Porque dor é um sintoma, e não um diagnóstico. Duas pessoas podem dizer “estou com dor lombar” e apresentar mecanismos, limitações e necessidades completamente diferentes.


A avaliação fisioterapêutica deve investigar quando a dor começou, há quanto tempo está presente, o que piora ou melhora os sintomas, se existe perda de força ou mobilidade, interferência no sono e nas atividades diárias, histórico de lesões ou doenças e quais atividades foram reduzidas ou abandonadas por causa da dor.


Somente depois dessa avaliação é possível decidir se algum recurso tecnológico pode contribuir e qual será seu papel no tratamento.


Aparelhos não substituem exercícios no tratamento da dor crônica

Este é um dos pontos mais importantes. A eletroterapia pode ser útil em situações selecionadas, mas o tratamento da dor crônica envolve um ampla abordagem terapêutica.


Em muitos casos, controlar a dor é uma etapa para recuperar aquilo que foi perdido ao longo do tempo: mobilidade, força, equilíbrio, resistência, confiança no movimento e capacidade de realizar atividades.


Imagine uma pessoa que deixou de subir escadas porque sente dor no joelho. Ao reduzir sua atividade, ela pode perder ainda mais força muscular e capacidade funcional. Diminuir a dor pode facilitar a retomada do movimento, mas o processo de reabilitação é que permitirá trabalhar força e função.


Por isso, os aparelhos devem ser vistos como ferramentas - e não como protagonistas - do tratamento da dor crônica.


Como é escolhido o tratamento para dor crônica?


Não existe um protocolo único que funcione para todas as pessoas. O planejamento começa com uma avaliação detalhada, procurando identificar a condição clínica, as limitações funcionais e os fatores associados à manutenção da dor.


A partir daí, o fisioterapeuta pode combinar diferentes estratégias:

  • exercícios terapêuticos e fortalecimento muscular;

  • exercícios de mobilidade e controle do movimento;

  • educação sobre dor e orientações para as atividades diárias;

  • técnicas manuais, quando indicadas;

  • Pilates Clínico e outras formas de exercício terapêutico;

  • recursos analgésicos e eletrofísicos, quando houver indicação.


Laser, ILIB, ultrassom e TENS podem fazer parte desse planejamento, mas a tecnologia deve ser escolhida para o paciente - e não o paciente para a tecnologia.


infográfico aparelhos para tratamento da dor

Perguntas frequentes – aparelhos de fisioterapia para dor crônica


Qual aparelho é melhor para dor muscular?

Depende da causa da dor. TENS, laser e outros recursos podem ser utilizados em situações específicas, mas a avaliação fisioterapêutica é necessária para definir se algum deles é indicado.

TENS acaba com a dor?

O TENS pode auxiliar na analgesia, mas não deve ser entendido como cura da causa da dor. A resposta também varia entre pacientes e condições.

Laser é anti-inflamatório?

A fotobiomodulação pode modular processos celulares envolvidos na resposta inflamatória. O efeito depende da dose, dos parâmetros utilizados e da condição tratada. Por isso, é mais preciso dizer que o laser pode modular processos inflamatórios do que afirmar genericamente que ele “cura a inflamação”.


Qual é a diferença entre laser e ILIB?

No laser terapêutico convencional, a aplicação costuma ser direcionada à região a ser tratada. Na fotobiomodulação vascular, frequentemente chamada de ILIB na prática clínica, a luz é aplicada sobre uma região vascular com proposta de efeitos sistêmicos.

Ultrassom terapêutico ajuda na inflamação?

O ultrassom produz efeitos mecânicos e térmicos nos tecidos e pode ser utilizado em determinadas condições musculoesqueléticas. Isso não significa que seja indicado para todo processo inflamatório. A indicação depende do diagnóstico e da evidência disponível.

É possível combinar laser, TENS e ultrassom?

Em algumas situações, diferentes recursos podem integrar o mesmo programa de fisioterapia. Porém, usar mais aparelhos não significa necessariamente obter resultados melhores. Cada recurso deve ter um objetivo definido.

 Quantas sessões são necessárias?

Não existe um número padrão. A duração do tratamento depende da causa da dor, do tempo de evolução, das limitações funcionais, da resposta do paciente e das estratégias utilizadas.

Dor crônica precisa ser tratada além do local que dói

Quando a dor persiste por muito tempo, simplesmente tentar “apagar” o sintoma pode não ser suficiente.

O objetivo do tratamento fisioterapêutico é mais amplo: reduzir a dor quando possível, recuperar movimento, melhorar força e função e devolver ao paciente segurança para realizar suas atividades.

Recursos como laser, ILIB, ultrassom e TENS podem participar desse processo quando existe indicação. O diferencial não está simplesmente em possuir diferentes aparelhos, mas em saber quando utilizar, por que utilizar e como integrar cada tecnologia ao restante da reabilitação.

Essa visão individualizada orienta o trabalho de Walkíria Brunetti, fisioterapeuta com mais de 40 anos de atuação e ampla experiência no tratamento fisioterapêutico da dor crônica.

No tratamento da dor crônica, portanto, a pergunta mais importante não é apenas “qual aparelho usar?”, mas “por que essa pessoa sente dor e o que precisamos fazer para que ela volte a se movimentar e realizar suas atividades com mais segurança e qualidade de vida?”

Sobre Walkíria Brunetti – Fisioterapeuta - CREFITO 3 10441-F

Walkíria Brunetti é fisioterapeuta, formada pela PUC-Campinas, com mais de 40 anos de atuação na área de Fisioterapia. Possui Mestrado pela Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo. Também atuou no Departamento de Fisioterapia Neurológica na Frei Universität de Berlin, na Alemanha. É especialista em Dores Crônicas, Saúde Postural, Pilates Clínico e Reabilitação neurofuncional.


A Clínica Walkíria Brunetti – Fisioterapia e Pilates está localizada no Campo Belo, zona sul da cidade de São Paulo.


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Referências científicas

  • JOHNSON, M. I. et al. Efficacy and safety of transcutaneous electrical nerve stimulation (TENS) for acute and chronic pain in adults: a systematic review and meta-analysis of 381 studies (the meta-TENS study). BMJ Open, 2022. PMID: 35144946. DOI: 10.1136/bmjopen-2021-051073.

  • GUAN, H. et al. Ultrasound therapy for pain reduction in musculoskeletal disorders: a systematic review and meta-analysis. Therapeutic Advances in Chronic Disease, 2024. PMID: 39170758. DOI: 10.1177/20406223241267217.

  • LUO, Y. et al. Effects of therapeutic ultrasound in patients with knee osteoarthritis: A systematic review and meta-analysis. Heliyon, 2024. PMID: 38803857. DOI: 10.1016/j.heliyon.2024.e30874.

  • BRASSOLATTI, P. et al. Systemic photobiomodulation: an integrative review of evidence for intravascular laser irradiation of blood and vascular photobiomodulation. Lasers in Medical Science, 2025. PMID: 39847118. DOI: 10.1007/s10103-024-04233-6.

  • WORLD HEALTH ORGANIZATION. WHO guideline for non-surgical management of chronic primary low back pain in adults in primary and community care settings. Geneva: WHO, 2023.

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