Método Bobath ajuda bebês prematuros com problemas motores


Dia 17 de novembro é o Dia Mundial da Prematuridade. Poucos assuntos são tão temidos pelos pais do que esse. Não por acaso: a prematuridade é a principal causa de morte em crianças abaixo de cinco anos de idade. Só no Brasil, 12% dos nascimentos ocorrem antes de a gestação completar 37 semanas, segundo dados do Ministério da Saúde.

Vencida a etapa hospitalar, é preciso acompanhar de perto o desenvolvimento do bebê prematuro, já que nascer antes do tempo pode trazer algumas sequelas. Estima-se que mais de 50% dos prematuros apresenta déficit motor e de 5 a 15% paralisia cerebral.

“Quanto mais cedo se identificar essas sequelas e quanto mais precoce for introduzida uma fisioterapia que vise à melhora da parte motora do bebê, menores serão as chances de haver um comprometimento futuro mais grave”, diz a fisioterapeuta e especialista no Método Bobath, em Walkiria Brunetti, que atua junto a bebês prematuros há 27 anos.

O Método Bobath

O método Bobath é usado há muitos anos para o tratamento de bebês prematuros. O conceito foi introduzido pelo casal alemão Karel e Berta Bobath, nos anos 30. “Trata-se de um método neuroevolutivo. O que isso quer dizer? Ele segue as etapas do desenvolvimento neuropsicomotor do bebê. Isso ajuda a inibir os padrões patológicos e a estimular os normais. Avaliamos, por exemplo, se os padrões estão dentro do esperado para a idade. Se é detectado um atraso, é traçado um plano de tratamento", diz Walkiria.

“A participação dos pais é fundamental para que o bebê receba os estímulos adequados em casa, além daqueles oferecidos na fisioterapia. No Bobath utilizamos vários recursos, como bolas, rolos e outros acessórios para manipulações ativas e passivas. Tudo feito para facilitar os membros que apresentam comprometimento, alongar músculos que estão encurtados, mobilizar juntas que estão enrijecidas, fortalecendo e tonificando a musculatura que está enfraquecida – algo que todo prematuro tem”, conta Walkiria.

Segundo a especialista, bebês e crianças pequenas se beneficiam porque é possível, logo no início de seu desenvolvimento, estabelecer padrões de movimentos normais que ajudam a reverter atrasos no desenvolvimento neuromotor, além de contribuir para o desenvolvimento de outras habilidades. Tudo isso graças a neuroplasticidade, capacidade do cérebro de fazer novas conexões para a aquisições de habilidades. Essa característica é intensa, principalmente, nos dois primeiros anos de vida.

A grande vantagem do conceito Bobath é que ele trata cada criança em sua individualidade. “Não há uma criança igual a outra, por isso, as propostas são sempre individualizadas. É importante lembrar que o desenvolvimento motor está ligado ao desenvolvimento cognitivo. A criança que consegue explorar o mundo ao seu redor sem grandes restrições motoras terá um melhor desenvolvimento da parte cognitiva”, conclui a fisioterapeuta.

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