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O que é esporão de calcâneo – Sinais Sintomas e Tratamento

  • há 2 dias
  • 5 min de leitura

O esporão de calcâneo é uma doença que afeta o calcanhar e é descrita pelos pacientes como uma dor quase insuportável nos pés. Em geral, a condição afeta 8 em cada 10 pessoas acima do peso. Além disso, a prevalência em pessoas com mais de 62 anos pode chegar em até 55%. Portanto, é uma condição muito comum nessa população.

 

Por que leva esse nome?

 

O calcâneo é o maior osso do pé, sendo responsável por sustentar todo o peso do corpo. Com isso, é um osso que recebe impacto constante e intenso ao longo da vida. Por essa razão, as lesões no calcanhar são muito comuns.

 

Já esporão significa uma saliência, ponta ou estrutura rígida e pontiaguda que se projeta de uma superfície.

 

Agora, o esporão de calcâneo tem esse nome porque se trata de um osteófito, ou seja, um crescimento anormal de tecido ósseo, que forma uma saliência óssea em alguma parte do corpo, nesse caso na sola do pé. Popularmente, o osteófito é chamado de “bico de papagaio”.

 

O esporão de calcâneo aparece nos exames de raio-X como uma pontinha de osso visível.

 

Esporão de Calcâneo: por que o problema pode não estar apenas no “ossinho” do calcanhar?

 

Os especialistas, por muitos anos, acreditavam que esse “ossinho” era a principal causa da dor em pessoas com esporão de calcâneo. Contudo, estudos recentes apontaram que há muitos pacientes com a condição que não apresentam sintomas. Com isso, a condição é uma achado radiológico, ou seja, o paciente faz exames para outras condições e descobre que tem o esporão de calcâneo.

 

Por outro lado, existem pacientes que apresentam dores intensas e, em muitos casos, incapacitantes. Com isso, vários estudos foram conduzidos para entender essa diferença. Hoje, já é aceito que a verdadeira origem da dor costuma ser uma sobrecarga na fáscia plantar.

 

O que é a fáscia plantar?

A fáscia plantar é uma faixa fibrosa que liga o calcanhar aos dedos dos pés. Esse tecido funciona como um “amortecedor natural”, além de sustentar o arco plantar e distribuir o impacto durante a caminhada.

 

Contudo, quando essa tensão aumenta muito, começam a surgir pequenas lesões e um processo inflamatório, conhecido como fascite plantar.

 

Sendo assim, na maioria dos casos, o esporão é apenas uma consequência de um problema mecânico maior, que pode envolver a fáscia plantar, a panturrilha, o tendão de Aquiles, a forma de pisar, o peso e até mesmo a estabilidade do quadril e das pernas.

Qual a relação entre fascite plantar e esporão?

 

Os estudos atuais sugerem que o esporão pode surgir como uma resposta do organismo à tração crônica da fáscia plantar no osso do calcâneo. Em outras palavras: a fáscia puxa continuamente o calcanhar; o corpo tenta “reforçar” essa região e acaba formando uma pequena calcificação.

 

Por isso, em muitos casos o esporão é consequência da sobrecarga — e não a verdadeira causa da dor. Estudos apontam que o esporão de calcâneo está presente em 45-85% das pessoas com fascite plantar.

 

O papel da panturrilha nessa dor

 

Essa é uma das descobertas mais importantes dos últimos anos. A panturrilha, popularmente chamada de “batata da perna”, está ligada ao calcâneo através do tendão de Aquiles. Quando ela está rígida, encurtada, fraca ou sobrecarregada, o tornozelo perde mobilidade. E o corpo começa a compensar durante a caminhada.

 

O resultado? Mais tensão sobre a fáscia plantar. Por isso, muitas pessoas com dor no calcanhar também apresentam sensação de panturrilha “travada”, dificuldade para alongar, rigidez ao acordar e desconforto no tendão de Aquiles.

 

Esporão de calcâneo e a pisada: por que se preocupar?

 

O tipo de pisada impacta diretamente na distribuição de carga no pé. Algumas alterações aumentam a tensão sobre a fáscia plantar, como excesso de pronação (quando o pé vira para dentro); perda ou ausência do arco plantar, instabilidade nos tornozelos, fraqueza muscular nos pés e aumento abrupto de atividade física de alto impacto, como corridas.

 

Isso explica por que corredores, pessoas que ficam muito tempo em pé e indivíduos sedentários e com sobrepeso podem desenvolver o problema com mais frequência.

 

Por que o sobrepeso e a obesidade aumentam o risco do esporão de calcâneo?

 

O excesso de peso aumenta a pressão no calcâneo e na fáscia plantar. Além disso, o excesso de peso pode alterar a biomecânica da marcha e acelerar o desgaste das estruturas de sustentação do pé.

 

Desse modo, sobrepeso e obesidade são condições que aumentam em mais de 6 vezes o risco de desenvolver o esporão de calcâneo, que atinge 8 em cada 10 pessoas nessas condições.

 

Por que a dor é pior ao acordar?

 

Uma das principais características do esporão do calcâneo é a piora da dor ao acordar. Trata-se de um sintoma clássico, mas que costuma aparecer nos pacientes que também apresentam a fascite plantar.

 

Durante o sono, a fáscia plantar fica menos tensionada, as microlesões começam um processo inflamatório e a estrutura encurta temporariamente. Quando a pessoa dá os primeiros passos da manhã, ocorre uma tração súbita da região inflamada.

 

Por isso, alguns pacientes costumam relação sensações como “pisar em vidro”, “agulhada no calcanhar” ou dores intensas ao dar os primeiros passos.

 

Como é o tratamento do esporão de calcâneo?

 

Atualmente, o tratamento do esporão de calcâneo é mais abrangente e busca corrigir a biomecânica envolvida na condição. O planejamento fisioterapêutico envolve diversos protocolos, como alongamentos, fortalecimento dos músculos envolvidos na marcha, correção da pisada e tratamento conjunto da fascite plantar, quando há também esse diagnóstico.

 

Adicionalmente, são usados aparelhos para melhorar a dor e a inflamação, como ultrassom, laser, aplicação de calor e frio, entre outros. A liberação miofascial é outro recurso fundamental para uma melhora global do quadro. Por fim, em alguns casos pode ser preciso o uso de palmilhas feitas sob medida para o paciente.

 

Os pacientes obesos ou com sobrepeso precisam reduzir o peso corporal para diminuir a pressão no calcanhar. Durante o tratamento, também é preciso suspender as atividades físicas mais intensas. O paciente também precisa adequar o tipo de calçado, evitando chinelos, rasteirinhas e sapatilhas.

 

O ideal é usar sapatos com solados que deem sustentação para o arco plantar e mais estabilidade durante a marcha. Ademais, é importante investir em calçados que possuam um acolchoamento na região do calcanhar, mais reduzir a pressão.

 

Conclusão

 

O esporão de calcâneo quase sempre está associado à fascite plantar. Além disso, fatores como excesso de peso, idade e alterações na pisada são bem estabelecidos como causas da condição. Na presença dos sintomas, procure um especialista.

 

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